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Direita já discute o pós-Bolsonaro e o caminho até 2030

A direita brasileira já começou a discutir o que vem depois da eleição de 2026. Em entrevista ao Papo Antagonista, publicada em 30 de outubro, o cientista político Rodrigo Prando analisou o fim da era Lula, a possível despolarização e o caminho até 2030, com a liderança do campo conservador no centro da conversa.

Por Luan Amancio
Direita já discute o pós-Bolsonaro e o caminho até 2030
Foto: Reprodução / band.com.br

A carta e a liderança da direita

O ponto de partida é a carta de Flávio Bolsonaro, que alerta "eventuais usurpadores" de que a liderança do movimento continuará com a família Bolsonaro. Para Prando, essa é uma visão dinástica do poder. Ele argumenta que os conservadores não bolsonaristas precisam romper com a família para ganhar independência.

O cientista político também vê sinais de que Tarcísio de Freitas está se distanciando do campo bolsonarista. Tarcísio foi reeleito governador de São Paulo ainda no primeiro turno. Prando afirma que o poder não deixa vácuo.

A ofensiva judicial

Em paralelo, segundo a Gazeta do Povo, parlamentares do PT e do PSOL intensificaram, depois do segundo turno, pedidos na Justiça contra Flávio e outros nomes da direita. Os pedidos incluem apreensão de passaporte, bloqueio de bens e contas, prisão preventiva e inclusão na lista de difusão vermelha da Interpol.

Em 26 de outubro, Erika Hilton (PSOL-SP) pediu a apreensão do passaporte. No dia 27, ela pediu o bloqueio de bens e contas de Flávio e da mulher dele, Fernanda Bolsonaro. Lindbergh Farias, Alencar Santana e Rogério Correia, do PT, pediram o congelamento de até R$ 6 bilhões. Lindbergh e Correia, com Ana Elisa Santos, também pediram prisão preventiva e inclusão na lista da Interpol.

O ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal e não saísse do país. Flávio viajou aos Estados Unidos com a família. Em carta divulgada na quarta-feira (28), disse que se sentiria "refém" se ficasse e citou "uma caça às bruxas politicamente motivada". O caso corre sob sigilo, e a Polícia Federal afirmou que não entregar os passaportes não torna alguém foragido.

O que dizem os analistas

O professor Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, classificou a reação como autoritária e disse que ela busca limitar a oposição. O constitucionalista Alessandro Chiarottino afirmou que os pedidos tentam usar a Justiça para mudar o resultado político da eleição. Georges Humbert, pesquisador de direito, disse que o descumprimento de uma ordem judicial, por si só, não atende aos requisitos constitucionais para prender um parlamentar e que a difusão vermelha não é ordem automática de prisão.

Minha leitura

A disputa pela liderança da direita é natural e vai se intensificar rumo a 2030. Mas pedidos de prisão e bloqueio de bens contra o principal nome da oposição, em processo sigiloso, mostram que parte da esquerda prefere resolver na Justiça o que não resolveu nas urnas.

Quem deve liderar a direita até 2030?

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Fontes: O Antagonista e Gazeta do Povo — ver reportagem original

LA
Luan Amancio

Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube

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