Eduardo diz que Moraes não segue no STF se Flávio vencer
Eduardo Bolsonaro afirmou na noite desta quarta-feira (14), em Washington, que o ministro Alexandre de Moraes não poderá continuar no Supremo Tribunal Federal caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, seja eleito presidente. A declaração foi dada a jornalistas brasileiros antes de um evento com o presidente argentino Javier Milei, segundo a Revista Oeste.

O que Eduardo disse
Eduardo afirmou que sua questão com Moraes é "muito pessoal" e que não enxerga Flávio governando com o ministro no STF. Disse ser preciso "expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte" e chamou o ministro de "tirano" e "pessoa totalmente fora de controle".
Ele também condicionou o seu retorno ao Brasil à extinção da pena e disse que não pretende cumpri-la: "Não vou puxar cadeia sendo inocente". Afirmou ainda que uma vitória de Flávio representaria "o fim da censura da Suprema Corte".
Sobre a campanha, disse que Flávio "está muito ciente de que ainda não tem nada ganho". Eduardo disse ter gostado de saber que Moraes teria buscado um acordo, sem explicar qual, e afirmou que o PL rejeitou a proposta. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, rejeitou publicamente qualquer acordo.
O contexto jurídico
Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Foi condenado a mais de quatro anos de prisão em regime semiaberto por coação de autoridades, por atuar junto a autoridades norte-americanas em favor de sanções contra integrantes do STF. Na semana anterior, Moraes determinou a expedição de mandado de prisão contra ele.
Moraes é o relator do caso que condenou Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. Segundo a Oeste, a bancada aliada a Flávio no Senado reuniu apoio suficiente para pressionar por processos de impeachment de ministros do STF, incluindo Moraes.
Anistia, indulto e Itamaraty
Aliados de Flávio estudam aprovar no Congresso, durante a transição, anistia para cerca de 2 mil apoiadores de Bolsonaro condenados ou multados, incluindo Eduardo. Se isso não avançar, interlocutores afirmam que Flávio poderia conceder indulto no dia da posse, prevista para 6 de janeiro, a Jair Bolsonaro, a Eduardo e a outros condenados.
Eduardo é cotado para o Ministério das Relações Exteriores, mas não confirmou o cargo. Segundo a Oeste, setores do centrão tentam barrar a indicação e defendem nomes mais palatáveis ao mercado, como Marcos Troyjo.
A fala deixa claro que, para a família Bolsonaro, o futuro do STF e de Moraes está no centro da disputa. Cabe ao eleitor lembrar que isso é declaração de Eduardo, não decisão de governo, e que a palavra final sobre o Supremo passa pelo Senado.
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Fontes: Revista Oeste — ver reportagem original
Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube


