Mensagens da PF mostram Vorcaro editando reportagens do Metrópoles antes da publicação
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o empresário recebia reportagens do site Metrópoles antes da publicação e pedia alterações nos textos. A informação é de um levantamento do UOL, divulgado nesta quinta-feira (15).

Segundo o levantamento, pelo menos 14 reportagens foram enviadas a Vorcaro com antecedência, entre 2024 e 2025. Onze delas foram modificadas depois das sugestões dele, e duas matérias foram publicadas a pedido do próprio banqueiro.
Contrato de R$ 20 milhões
A aproximação entre Vorcaro e a CEO do portal, Lilian Tahan, começou em 2024, ano em que o Banco Master fechou um contrato publicitário de R$ 20 milhões com o Metrópoles. De acordo com o Brasil de Fato, que cita o mesmo levantamento, o contato foi articulado em maio daquele ano pelo consultor Guilherme Barros, e o valor foi pago em 2025 em quatro parcelas de R$ 5 milhões.
O que dizem as mensagens
Em 2 de abril de 2025, Vorcaro contestou a menção a uma suposta oferta de R$ 1 pelos ativos do Master. Ele escreveu: "Proposta de 1 real nunca existiu!". Tahan respondeu: "Tiramos".
Ainda conforme as reportagens, no dia 17 de novembro de 2025, data da prisão de Vorcaro, o site publicou um texto sobre a Fictor depois de revisões solicitadas por ele.
A resposta do Metrópoles
Lilian Tahan afirmou que consultar previamente a fonte para verificar se o texto reflete o contexto concedido é prática comum com empresários, políticos e integrantes do Judiciário. Ela negou que o contrato publicitário tenha qualquer vínculo com a cobertura editorial e disse que o veículo cobriu amplamente as dificuldades financeiras das empresas de Vorcaro.
As mensagens fazem parte do material apreendido pela PF e, até aqui, o que se conhece vem do levantamento do UOL e das reportagens que o replicam.
Checar um texto com a fonte é uma coisa; submeter reportagens a quem está sendo investigado, num ano de contrato de R$ 20 milhões, é outra. O leitor precisa saber quem está por trás do que lê, e o caso mostra por que a imprensa não pode se blindar da mesma transparência que cobra dos outros.
Imprensa que edita com o investigado merece a sua confiança?
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Fontes: @danuzioneto, com levantamento do UOL — ver reportagem original
Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube


