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Microfone aberto flagra Alcolumbre: "Não falei que ia dar certo?"

Um microfone aberto da TV Senado flagrou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorando com o senador Camilo Santana (PT) a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1. O diálogo foi captado na noite de quarta-feira (14), logo depois da votação.

Por Luan Amancio
Microfone aberto flagra Alcolumbre: "Não falei que ia dar certo?"
Foto: Agencia Senado / Attribution

"Parabéns, presidente. Você é o grande responsável por isso aqui", disse Camilo. Alcolumbre, aparentemente sem saber que estava sendo ouvido, respondeu: "Não falei que ia dar certo?".

A votação

O Senado aprovou a PEC em primeiro e segundo turnos no mesmo dia, ambos com 75 votos favoráveis. Segundo o Diário de Pernambuco, o único voto contrário foi o de Hamilton Mourão (Republicanos-RS), e Sergio Moro (PL-PR) registrou presença, mas não votou. Para acelerar a tramitação, foi aprovado um requerimento de calendário especial. O texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Segundo O Antagonista, a PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de folga, um deles aos domingos, e proíbe a redução de salários.

Eleição no pano de fundo

A votação ocorreu cinco meses depois de a proposta chegar ao Senado e a menos de duas semanas do segundo turno das eleições. A matéria é tratada como prioritária na campanha de reeleição de Lula (PT). A oposição esvaziou sessões e tentou adiar a votação para depois do pleito, mas não conseguiu obstruir a sessão.

Flávio Bolsonaro criticou a PEC durante a campanha, mas anunciou na terça-feira (13) que votaria a favor, dizendo que a maioria dos trabalhadores quer o fim da 6x1. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, havia classificado a discussão como oportunista e eleitoreira.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), atribuiu a mudança de postura da oposição a "cálculo eleitoral" e lembrou que a PEC foi apresentada em 2019 e não avançou no governo Bolsonaro.

Os bastidores

Segundo O Antagonista, Alcolumbre pediu votos pessoalmente, de olho na eleição para a presidência do Senado no início de 2027. A reportagem afirma que ele busca apoio do PT e do Centrão para permanecer no cargo por mais dois anos.

Minha leitura

A frase captada sem querer mostra que a aprovação foi tratada como projeto pessoal de Alcolumbre, e o elogio do PT combina com a disputa pela presidência do Senado em 2027. Em plena campanha, resta saber quem colhe o crédito junto ao eleitor.

Quem ganha mais com essa aprovação em plena campanha?

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Fontes: @danuzioneto, com O Antagonista e Diário de Pernambuco — ver reportagem original

LA
Luan Amancio

Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube

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