Nikolas sobre Moraes: “É impeachment e cadeia”
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reeleito em 2026, defendeu nesta quarta-feira (7) o impeachment e a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em Brasília, Nikolas afirmou ter ouvido relatos de uma suposta negociação para evitar consequências para o ministro e reagiu: "Eu digo e repito, sem anistia para Alexandre Moraes".

Segundo o parlamentar, a conversa que chegou até ele era sobre um acerto "para poder livrar a pele do Alexandre Moraes". Nikolas negou que exista qualquer acordo entre a direita e o Supremo.
"É impeachment e cadeia"
Nikolas acusou Moraes de cometer "crimes contra a humanidade e direitos humanos" e disse que o ministro precisa responder pelo que fez com os presos do 8 de janeiro. "O que você fez com o Clezão, o que você fez com outros que morreram, com pais, com mães, com familiares que ficaram distante ao longo desse tempo, você tem que pagar", declarou. "É simples, é impeachment e cadeia."
O deputado seguiu nas críticas: "Uma pessoa que fala e brinca que temos muitas pessoas ainda para prender, muito processo para julgar", disse, antes de concluir que Moraes "cometeu crimes graves contra direitos humanos".
Apesar do tom duro, Nikolas ressaltou que Moraes deve ter direito à ampla defesa e a um julgamento "justo" e "imparcial".
O parlamentar ainda ironizou uma possível mudança de postura do ministro diante do novo cenário político: "Daqui a pouco o Alexandre de Moraes vai estar vestido de 'Deus, Pátria, família e liberdade'", disse, "com a Bíblia na mão para tentar fugir da punição que é devida a ele".
As decisões recentes de Moraes
As declarações vieram depois de uma sequência de decisões de Moraes em processos ligados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Na terça-feira (6), o ministro arquivou um inquérito contra Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, depois de uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na sexta-feira (2), Moraes autorizou a progressão de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como "Débora do Batom", para o regime semiaberto. Ela cumpria prisão domiciliar. O ministro também reconheceu dias de remição de pena por trabalho, estudo e leitura.
O cenário no Senado
Também na terça-feira (6), o senador Rogério Marinho (PL-RN) disse ao presidente do STF, Edson Fachin, que uma vitória de Flávio Bolsonaro não significaria retaliação contra ministros. Marinho defendeu mudar o regimento do Senado para que pedidos de impeachment de ministros do STF possam avançar sem depender do presidente da Casa, e afirmou que já foram apresentados mais de 100 pedidos desse tipo.
O ex-presidente Michel Temer (MDB), responsável pela indicação de Moraes ao STF, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Lula (PT), marcado para 25 de outubro.
Os gestos recentes de Moraes em casos do 8 de janeiro chegam tarde demais para quem passou anos preso, e Nikolas foi direto ao ponto ao dizer que não há acordo de bastidor que apague isso. Com mais de 100 pedidos de impeachment parados e a proposta de mudar o regimento do Senado, o tema promete voltar com força depois de 25 de outubro.
O Senado deve abrir o impeachment de Moraes?
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Fontes: Revista Oeste e O Antagonista — ver reportagem original
Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube


