Paulo Guedes vira alvo de inquérito da PF por caso de criptomoedas
A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional ligados a promessas de rendimentos com criptomoedas. A informação foi divulgada pelo site Metrópoles e repercutida pelo jornalista Claudio Dantas.

O que se sabe do inquérito
O inquérito foi autuado em 10 de fevereiro na 9ª Vara Federal de Curitiba e tramita sob sigilo. Os crimes investigados estão previstos na Lei nº 7.492/1986, que trata dos crimes contra o sistema financeiro. A PF do Paraná conduz o caso, com participação do Ministério Público Federal.
Segundo o processo, em 21 de setembro houve despacho judicial e intimações a Fábio Lino, à PF e ao MPF. Em outubro, o caso registrou novas petições e diligências policiais.
O papel de Guedes na OnilX
De acordo com o Metrópoles, Guedes atuou "na linha de frente da OnilX", empresa que promete rendimentos de até 2,8% ao mês. Ele teria prestado consultoria, participado de reuniões estratégicas e aparecido em materiais de divulgação do grupo.
Uma mensagem anexada a um processo, atribuída a uma assessora da empresa, diz que Guedes estaria "dentro da empresa". O texto cita ainda um aporte de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões como condição para uma possível reunião com ele.
Ações, reguladores e defesa
O Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Em uma delas, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa. Segundo o relato, após uma reunião com Guedes em abril, a tentativa de resgate feita quatro meses depois não teve sucesso. Investidores relatam dificuldades para resgatar valores e, em alguns casos, levantam suspeita de pirâmide financeira.
No campo regulatório, a CVM suspendeu em janeiro ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, manteve a decisão, esclarecendo que ela não alcança a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
A OnilX nega as acusações e afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais. As reportagens consultadas não trazem a posição de Paulo Guedes.
Investigação não é condenação, e Guedes tem direito à defesa e a ser ouvido antes de qualquer conclusão. Mas quem empresta nome e imagem públicos a um produto financeiro assume responsabilidade perante quem investiu por confiar nele.
Quem usa nome público para vender investimento deve responder por isso?
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Fontes: Claudio Dantas, com informações do Metrópoles — ver reportagem original
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