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PGR barra pedido de Moraes para investigar Mendonça

A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o comando de Paulo Gonet, se manifestou contra o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar o também ministro do Supremo André Mendonça. O parecer foi enviado em sigilo ao presidente do STF, Edson Fachin, no sábado (17), e veio a público nesta segunda-feira (19).

Por Luan Amancio
PGR barra pedido de Moraes para investigar Mendonça
Foto: Rosinei Coutinho/STF / Attribution

Para a PGR, a representação "não apresenta condições de ter seguimento". A decisão final, porém, não é do procurador-geral: cabe ao plenário do Supremo admitir ou recusar a autorização para investigar um integrante da Corte.

Como o caso começou

A disputa nasceu quando Mendonça retirou o sigilo de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Moraes, no início de setembro. Em resposta, Moraes usou relatórios internos da Polícia Federal para apontar suposto abuso de autoridade de Mendonça, com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos.

Os relatórios tratam da atuação de Mendonça como supervisor judicial das investigações sobre o Banco Master e sobre as fraudes no INSS, as operações Compliance Zero e Sem Desconto. Os documentos não são assinados e trazem o carimbo "sem valor probatório". A própria PF afirmou que o material "não imputa infração a magistrado nem a qualquer autoridade".

O que diz a PGR

Segundo a Gazeta do Povo, a PGR avaliou que esses relatórios de inteligência não têm valor probatório e não poderiam fundamentar uma apuração. Pela Jovem Pan, Gonet escreveu que os relatórios "sugerem direção das investigações com vieses desafeiçoados da posição de neutralidade do magistrado", mas que a conduta não parece se enquadrar em crime previsto na Lei 13.869/2019, a lei de abuso de autoridade.

A PGR também afirmou que eventuais crimes de responsabilidade devem ser analisados pelo Senado.

O que acontece agora

O parecer não encerra o caso. O plenário do STF ainda vai decidir se autoriza ou não a investigação. Em 23 de setembro, a análise do pedido foi adiada depois que Flávio Dino pediu vista. Em sessão anterior, Gilmar Mendes havia pedido que Moraes e Mendonça fossem julgados em conjunto, questão que não foi concluída.

Fachin também encaminhou os casos Master e INSS à presidência do Supremo, mas ainda não definiu se as investigações voltam para Mendonça ou se haverá novo relator por sorteio.

Minha leitura

O parecer da PGR mostra que o pedido contra Mendonça foi construído sobre documentos que a própria PF diz não acusar ninguém. Quando o ministro que recebeu as mensagens de Vorcaro quer investigar o colega que as tornou públicas, o plenário precisa explicar o que está em jogo.

O plenário do STF deve autorizar essa investigação?

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Fontes: Gazeta do Povo e Jovem Pan — ver reportagem original

LA
Luan Amancio

Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube

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