Relatório da PF sobre ministros do STF e Vorcaro fica para depois da eleição
O relatório da Polícia Federal sobre o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, só deve vir a público depois da eleição. A informação é do comentarista Valdo Cruz, do g1 e da GloboNews, publicada nesta quarta-feira (14). O objetivo, segundo a coluna, é evitar mais turbulência durante o período eleitoral.

O acerto entre PF e Fachin
O combinado foi fechado na terça-feira (13), em reunião do diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, com o presidente do STF, Edson Fachin. Segundo Valdo Cruz, a decisão agrada às duas alas do Supremo que vinham se digladiando por causa das investigações envolvendo o banqueiro.
No encontro, ficou decidido que a Polícia Federal fará uma análise exaustiva dos nomes de magistrados citados em conversas e mensagens de Vorcaro. Aqueles sobre os quais forem encontrados elementos que indiquem possíveis irregularidades serão incluídos no relatório.
Reportagem do SBT News, publicada em 12 de outubro, já informava que o levantamento faz referência a pelo menos seis dos dez ministros da Corte, além de integrantes de outros tribunais superiores, como o STJ. O próprio veículo ressalva que a presença de um nome no material não significa que o ministro seja investigado ou tenha cometido irregularidade.
O caminho até o plenário
Depois de pronto, o documento será submetido à Procuradoria-Geral da República (PGR), para parecer. Em seguida, Fachin o levará ao plenário do STF. Na avaliação de investigadores, esse é o caminho correto, porque uma eventual decisão sobre a abertura de investigações contra ministros da Corte deve passar pelo colegiado.
É a partir da decisão do plenário que poderão ser autorizadas investigações sobre ministros, caso sejam identificados indícios de crime relacionados a Vorcaro.
O peso da eleição
Segundo ministros e investigadores ouvidos pela coluna, uma vitória de Flávio Bolsonaro ou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) produziria cenários distintos na Corte, inclusive para a discussão sobre eventuais investigações.
Nos bastidores, há ainda a avaliação de que o caso pode acabar arquivado, caso prevaleça o entendimento de que os elementos reunidos não são suficientes para justificar a abertura de investigações.
O calendário importa. Um relatório que cita ministros da mais alta Corte do país e que só aparece depois das urnas tira do eleitor uma informação relevante na hora de decidir. Se ministros ouvidos pela própria coluna admitem que o resultado da eleição pode mudar o rumo do caso, o eleitor tem motivo de sobra para perguntar por que a transparência precisa esperar.
O brasileiro não tinha o direito de saber antes de votar?
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Fontes: Valdo Cruz (g1/GloboNews) — ver reportagem original
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