Relatório do TSE aponta mensagens editadas e apagadas no canal Exército do Lula
A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu, em relatório finalizado nesta segunda-feira (12), que o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), teve mensagens editadas e publicações apagadas. O documento também aponta riscos ao processo eleitoral por causa do alcance do canal, que tem mais de 3 milhões de seguidores.

O que o relatório analisou
O levantamento foi feito pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, a pedido do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Os técnicos examinaram as publicações feitas entre 2 e 11 de outubro e procuraram conteúdos idênticos ou semelhantes aos já examinados pela Justiça Eleitoral, além de possíveis estratégias coordenadas de disseminação.
Segundo as fontes, a análise não encontrou, nesse período, novas publicações que reproduzissem conteúdos já considerados falsos pela Corte. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) havia apontado supostas fake news sobre a retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil, a ligação de Flávio com milícia, a redução de aposentadorias e do BPC e o cancelamento do reajuste do Bolsa Família. O relatório não encontrou essas afirmações no período analisado.
Mensagens editadas e apagadas
O relatório registra que parte das mensagens de setembro foi apagada a partir de 7 de outubro. Com isso, as publicações de setembro citadas no processo não puderam ser examinadas, e a equipe afirma que isso dificulta reconstruir o histórico do canal. A área técnica também identificou mensagens marcadas como editadas e orientações para compartilhar vídeos antes de assisti-los.
Os técnicos ressalvam que, por causa da urgência, alguns vídeos e áudios não foram transcritos. Eles também apontam o uso frequente de linguagem polarizadora, que tende a criar uma lógica de confronto, e citam como fatores de risco o alcance potencial das mensagens, o volume de encaminhamentos e as orientações para que os seguidores compartilhem conteúdos ao mesmo tempo em diferentes plataformas.
Como chegou até aqui
No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do canal, após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu essa ordem e manteve a página ativa. O caso ainda pode ser levado ao plenário do TSE, sem data definida.
O canal, no WhatsApp, reúne apoiadores de Lula para compartilhar áudios, vídeos e orientações.
O relatório não achou fake news nova no período, mas deixa uma lacuna importante: mensagens apagadas não podem ser conferidas. Num canal com milhões de seguidores em plena campanha, transparência sobre o que foi publicado deveria ser o mínimo.
Canal desse tamanho deve guardar tudo o que publica?
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Fontes: @danuzioneto, com dados do TSE — ver reportagem original
Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube


