Vorcaro bancou hotel de R$ 31 mil por diária a ex-cunhado de Gilmar
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pagou três noites no hotel Rosewood, em São Paulo, para o ex-senador Francisco "Chiquinho" Feitosa (Republicanos), irmão da advogada que foi casada com o ministro do STF Gilmar Mendes até o ano passado. A hospedagem ocorreu dois dias antes de um julgamento no Supremo sobre a abertura de novos cursos de Medicina. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e repercutida pela Jovem Pan nesta terça-feira (13).

O que mostram as mensagens
De acordo com a reportagem, a diária do quarto custa R$ 31.552. O advogado de Vorcaro, Ciro Soares, intermediou o pedido de Feitosa para mudar as datas da reserva. Em 22 de maio de 2024, o próprio Vorcaro enviou o comprovante da hospedagem diretamente a Feitosa. Ao deixar o hotel, o ex-senador agradeceu ao banqueiro por mensagem.
O caso de Medicina no STF
Vorcaro havia investido em faculdades que buscavam autorização para oferecer cursos de Medicina. O processo estava sob relatoria de Gilmar Mendes. Em mensagens posteriores, Ciro Soares disse a Vorcaro que o caso havia sido concluído e afirmou que "deu tudo certo".
O Estadão já havia mostrado que Feitosa tinha um contrato de R$ 500 mil mensais com Vorcaro, tratava com o banqueiro de processos no STF e organizou uma reunião da equipe de Vorcaro no gabinete do ministro.
A resposta de Gilmar Mendes
Procurado pelo jornal, Gilmar Mendes disse que "votou contra a abertura indiscriminada de cursos" e que seguiu a posição do Ministério da Educação (MEC). Segundo ele, a decisão incluiu uma regra de transição que permitiu que instituições que já haviam apresentado a documentação exigida continuassem sendo analisadas.
Até aqui, as reportagens não apontam prova de que o ministro tenha favorecido Vorcaro.
Não há, até agora, prova de que o voto tenha sido influenciado, e é justo registrar a explicação do ministro. Mas um banqueiro com interesse direto no tema bancar uma estadia de luxo para o ex-cunhado do relator, às vésperas do julgamento, é o tipo de coisa que o Supremo deveria explicar com transparência.
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Fontes: Estadão, via Jovem Pan — ver reportagem original
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