Vorcaro diz ter dado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para filme de Lula
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirma ter liberado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para custear despesas do documentário "Lula", dirigido por Oliver Stone e lançado em 2024. O relato aparece em áudio e em documento obtidos pela revista VEJA e divulgados nesta sexta-feira (9 de outubro).

Segundo a revista, o pagamento teria sido feito "por fora, ou seja, em espécie", como contrapartida para que o Banco Master conseguisse negócios no governo federal, em especial acesso a recursos de fundos de pensão de estatais.
O que Vorcaro relata
De acordo com o documento revelado pela VEJA, o esquema envolveria o Banco do Brasil, o Instituto Lula e seu diretor, Paulo Okamotto. O objetivo seria abrir caminho para recursos administrados por entidades como a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e a Caixa Asset, gestora de recursos da Caixa.
O acerto previa uma propina de 10% sobre o que o banco arrecadasse com a operação. A cobrança desse percentual é atribuída a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Ainda segundo o relato, o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, levou a proposta a uma reunião com Vaccari, articulada por "caciques do PT na Bahia". O negócio acabou não se concretizando porque, nas palavras do documento, "houve um desarranjo".
No áudio, Vorcaro compara o dinheiro do filme de Lula ao patrocínio que deu a "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro que teve participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na produção. "Do Lula foi errado", diz o ex-banqueiro. "O do Flávio não foi porque pediu patrocínio", completa.
A Gazeta do Povo informou ter comparado a voz do áudio com um depoimento de Vorcaro e encontrado compatibilidade. Pessoas próximas ao ex-banqueiro confirmaram o áudio à CNN Brasil, mas sugeriram que se trata de uma gravação clandestina.
PGR não levou o caso adiante
O relato foi apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não deu andamento ao caso alegando falta de provas dos pagamentos em dinheiro. Segundo a VEJA, Vorcaro afirmou que poderia apresentar mensagens, registros de acesso e os trajetos das pessoas que fizeram as entregas. A CNN Brasil informou que a Polícia Federal e a PGR rejeitaram as propostas de delação do ex-banqueiro por falta de provas.
O que dizem os citados
Lula negou as acusações. O grupo de juristas Prerrogativas afirma que o documentário não recebeu dinheiro de Vorcaro e anunciou que vai pedir à Polícia Federal que investigue se o ex-banqueiro prestou um depoimento falso com fins eleitorais.
Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido patrocínio a Vorcaro para "Dark Horse", mas negou qualquer irregularidade. Segundo ele, foi um "financiamento privado a um filme igualmente privado".
Os demais citados, como Vaccari, Okamotto e o Instituto Lula, não haviam se manifestado até a publicação das reportagens.
Quando o dono de um banco liquidado diz ter entregado R$ 30 milhões em espécie para um filme sobre o presidente em troca de negócios com fundos de pensão, a resposta não pode ser arquivar por falta de provas sem olhar as mensagens e os registros que ele diz ter. Se for mentira, que se prove; se for verdade, o eleitor precisa saber antes de votar.
A PF deve ouvir Vaccari e Okamotto?
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Fontes: @danuzioneto, com informações da VEJA — ver reportagem original
Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube


