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Vorcaro mandou buscar uísque de R$ 500 mil para dar a Lula

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do caso Banco Master, mostram que ele mandou procurar uma garrafa de uísque Macallan 1945, de cerca de R$ 500 mil, para dar de presente a Lula. A informação foi publicada pela revista Veja nesta quinta-feira (22), três dias antes do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Por Luan Amancio
Vorcaro mandou buscar uísque de R$ 500 mil para dar a Lula

O que dizem as mensagens

As conversas são de 29 de outubro de 2024. Pela manhã, Vorcaro pediu a um assistente que verificasse se um contato conseguiria a garrafa de Macallan 1945 "naquela loja Londres". Em seguida, escreveu: "Preciso dar pro Lula". Ao ser perguntado sobre o destino, respondeu que "É pra presente".

Cerca de cinco horas depois, o assistente mandou a foto de uma garrafa, disse que o rótulo "não está 100%" e que o preço estava "na casa dos €80k++", algo próximo de R$ 500 mil na época. Vorcaro respondeu: "Tá ótimo". Segundo as mensagens, a garrafa viria de Dubai em um voo no dia seguinte.

O ano de 1945 coincide com o de nascimento de Lula, que completou 81 anos no dia 27.

O uísque já era conhecido

Em 22 de janeiro de 2025, o advogado Walfrido Warde, então na defesa de Vorcaro, escreveu ao cliente que Lula "agradeceu mais uma vez o whisky" e mandou um abraço. Essa mensagem já era conhecida desde setembro. A novidade da Veja é a origem e o valor estimado da garrafa.

Segundo a revista, Lula recebeu Vorcaro fora da agenda oficial em 4 de dezembro de 2024, em encontro intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega, contratado pelo banqueiro como consultor. Em setembro, Flávio Bolsonaro pediu ao STF a abertura de investigação contra Lula com base nas primeiras mensagens sobre o uísque.

O que Lula e o Planalto dizem

A Secretaria de Comunicação da Presidência afirma que Lula esteve com Vorcaro uma única vez, em 4 de dezembro de 2024, que não recebeu presente e que não enviou recado ao banqueiro. Em entrevista à Band, no fim de setembro, Lula disse que, se lhe deram uísque, já bebeu, e questionou o crédito dado à fala do advogado.

A campanha do PT sustenta que se trata de relatos de terceiros, sem prova de entrega.

O que ainda não está provado

O próprio texto da reportagem ressalva que não há comprovação de que essa garrafa específica foi comprada e entregue a Lula. A ligação entre a encomenda de outubro de 2024 e o uísque citado por Warde é uma inferência a partir das mensagens, e o relato do advogado é a palavra dele. Vorcaro está preso desde novembro de 2025, e, segundo a Veja, duas propostas de delação dele foram rejeitadas pela PF e pela PGR por falta de provas.

Minha leitura

As mensagens não provam a entrega, mas mostram a intenção, o valor e a data. A poucos dias da votação, o eleitor merece uma explicação direta, e não só a negativa da Secom.

Lula deveria explicar isso antes do dia 25?

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Fontes: @danuzioneto, com reportagem da Veja — ver reportagem original

LA
Luan Amancio

Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube

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