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Trump perde o Congresso, promete negociar, mas lembra que tem o poder de veto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que vai aceitar o resultado das eleições de meio de mandato (midterms) e buscar acordos com os democratas, que conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado na votação desta terça-feira (3). A declaração foi dada ao jornal The New York Times na noite da eleição, enquanto ele acompanhava a apuração.

Por Luan Amancio
Trump perde o Congresso, promete negociar, mas lembra que tem o poder de veto

"Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles", afirmou Trump, segundo o relato publicado pelo site de Claudio Dantas com base no jornal americano. Ele também disse acreditar que os dois lados podem chegar a um consenso sobre o teto da dívida e que, se a oposição tiver "boas ideias", está aberto a negociar.

O recado do veto

A mão estendida veio acompanhada de um aviso. Ao jornal, Trump lembrou que tem "total veto power" (poder total de veto) e que, por isso, os democratas "have to come to us" — ou seja, terão de procurar a Casa Branca para aprovar qualquer coisa. Depois dos primeiros resultados negativos para os republicanos, ele publicou na Truth Social a imagem de um boné com a palavra "veto", sinal de que pode barrar propostas da nova maioria.

Na mesma rede, o presidente minimizou a derrota do partido: "Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido por uma lavada!". Ao New York Times, disse ainda que os republicanos não conseguiram levar eleitores suficientes às urnas e que os americanos não estavam satisfeitos com o preço do petróleo.

Trump também defendeu a guerra contra o Irã, que pesou no preço dos combustíveis durante a campanha. Disse que faria tudo de novo e que não se arrepende "at all" (nem um pouco) da decisão. No último mês, ele participou de quase 30 comícios em apoio a candidatos republicanos.

Uma derrota que não se via desde 2006

Segundo a revista Crusoé, de O Antagonista, os republicanos não perdiam o controle das duas casas do Congresso ao mesmo tempo havia 20 anos. A última vez foi em 2006, sob George W. Bush, durante a Guerra do Iraque, quando os democratas tomaram Câmara e Senado na mesma noite. Desde a Segunda Guerra Mundial, a oposição venceu as duas casas numa eleição de meio de mandato apenas três vezes: em 1946, com Truman; em 1994, com Clinton; e em 2006, com Bush.

Trump chegou à votação com 38% de aprovação, índice descrito pela publicação como o mais baixo para um presidente antes de uma midterm. Os democratas viraram distritos que estavam nas mãos dos republicanos em vários estados, como Iowa, Pensilvânia e Texas, e parte das cadeiras ainda estava em apuração nesta quarta-feira (4).

O que muda a partir de agora

Com a maioria na Câmara, os democratas passam a comandar as principais comissões, o que permite convocar integrantes do governo e abrir investigações. No Senado, ganham poder para segurar ou barrar indicações do presidente, como as de juízes federais e embaixadores. Os novos congressistas tomam posse em janeiro.

Do outro lado, a Casa Branca conta com o veto presidencial para frear a agenda da oposição. Na prática, os próximos dois anos de mandato de Trump devem ser marcados por negociação forçada — ou por paralisia em Washington.

Minha leitura

Trump reconhece a derrota sem baixar a cabeça: oferece diálogo, mas deixa claro que nada passa sem a assinatura dele. A lição vale também para cá: o preço do combustível pesa no voto, e nenhuma maioria resiste a um eleitor com o bolso apertado.

Os democratas vão negociar ou só travar o governo?

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Fontes: Claudio Dantas, com informações do New York Times — ver reportagem original

LA
Luan Amancio

Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube

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