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Juiz manda dono do Ueno Bank para a cadeia no Paraguai

O juiz Rodrigo Estigarribia, do Juizado Penal de Garantias especializado em Crimes Econômicos do Paraguai, decretou nesta quinta-feira (5) a prisão preventiva de Miguel Vázquez, principal executivo do grupo que controla o Ueno Bank. Outros cinco diretores e integrantes da cúpula do banco também foram mandados para a cadeia, na investigação sobre o colapso da instituição.

Por Luan Amancio
Juiz manda dono do Ueno Bank para a cadeia no Paraguai
Foto: Agencia Paraguay / CC BY-SA 4.0

Além de Federico Miguel Vázquez Villasanti, vão para a prisão Juan Manuel Gustale, Julio Daniel Rey Fernández, Alejandro Gómez Abente, Diego Fernando Duarte Schussmuller e Miguel Ángel Almada Frutos. Duas mulheres investigadas, Diana Leticia Mongelós e Mariana Torres Rubiani, receberam prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. O juiz levou em conta que ambas têm filhos pequenos.

O juiz foi além do pedido do Ministério Público

Os promotores haviam pedido prisão preventiva apenas para Miguel Vázquez, alegando risco de fuga e de obstrução da investigação. Para os demais, o Ministério Público pediu prisão domiciliar com tornozeleira, proibição de deixar o país e fiança. O juiz só concedeu essa alternativa às duas mulheres.

Na decisão, Estigarribia considerou insuficientes as garantias oferecidas pelas defesas e entendeu que o risco de fuga continua. Os investigados se apresentaram ao Ministério Público, mas, segundo o juiz, isso não afasta o risco diante das características do caso, do volume das movimentações financeiras e da capacidade de deslocamento dos acusados dentro e fora do país. Imóveis oferecidos como fiança não bastariam: o magistrado exigiu um depósito em dinheiro de valor significativo.

O juiz também determinou que os presos não fiquem alojados no mesmo espaço físico, para impedir que se comuniquem durante a investigação. A prisão pode ser revista se as defesas comprovarem condições para medidas mais brandas, e a decisão, segundo o próprio texto, "no implica un pronunciamiento sobre la culpabilidad de los imputados".

As acusações

Na quarta-feira (4), o Ministério Público paraguaio apresentou a imputação contra 27 pessoas. Os crimes apontados são conduta indevida em situações de crise, lesão de confiança, tentativa de estelionato e violação do dever de manter livros comerciais.

Segundo a acusação, entre 2025 e 2026 foram aprovados empréstimos e cheques especiais em valores desproporcionais à capacidade econômica dos tomadores, com prazos longos e garantias insuficientes. O dinheiro teria sido rapidamente transferido para outras empresas do mesmo grupo econômico, em vez de ser usado nas finalidades declaradas.

Os promotores também apontam uma venda simulada de carteira de crédito para a empresa Vinanzas S.A., no valor de US$ 74.418.418,12, em 15 de junho de 2026. Para a acusação, o próprio banco financiou a compra de forma indireta, por meio de empréstimos a outras empresas que repassaram o dinheiro à compradora, o que teria escondido a real situação financeira da instituição. Miguel Vázquez é descrito como beneficiário final e primeiro vice-presidente do banco, ligado a empresas que receberam recursos dos empréstimos investigados.

A crise que derrubou o presidente

O caso começou com uma denúncia do Banco Central do Paraguai, que abriu o processo de resolução do Ueno Bank porque o índice de solvência ficou abaixo da metade do mínimo legal. As operações foram suspensas e clientes ficaram sem acesso às contas.

A crise chegou ao palácio presidencial. Também nesta quinta-feira, o presidente Santiago Peña anunciou que vai renunciar ao cargo, depois que a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment contra ele. Peña foi acionista da Ueno Holding, estrutura ligada ao banco, até março de 2025. O Congresso paraguaio foi convocado para analisar a renúncia.

Minha leitura

Quando um banco quebra e leva junto o dinheiro de milhões de pessoas, quem estava no comando tem que responder. A Justiça paraguaia agiu em poucos dias e foi além do que a própria acusação pediu, um contraste e tanto com a lentidão que se vê em outros lugares quando o investigado é poderoso.

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Fontes: @danuzioneto, com informações do Diario HOY e do 1000 Noticias — ver reportagem original

LA
Luan Amancio

Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube

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