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Presidente do Paraguai, Santiago Peña renuncia ao cargo em meio a crise de banco

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar à Presidência da República. O anúncio foi feito em vídeo nas redes sociais, em meio à crise provocada pela quebra do Ueno Bank, instituição que tem cerca de 3 milhões de clientes e que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai nesta semana.

Por Luan Amancio
Presidente do Paraguai, Santiago Peña renuncia ao cargo em meio a crise de banco
Foto: Francarballopy / CC BY-SA 4.0

No mesmo dia, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment contra Peña. A renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso paraguaio. Caso não seja, o processo de impedimento pode seguir adiante e passa ao Senado.

O que disse Peña

No vídeo, Peña afirmou: "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República." Ele disse que agia pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas, e com respeito à Constituição.

"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", declarou o presidente. Ele também pediu desculpas à população: "Também quero pedir desculpas ao povo, caso em algum momento eu tenha falhado." E acrescentou: "Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim."

Peña afirmou ainda que os responsáveis pela crise serão submetidos à Justiça e promulgou uma lei para acelerar a devolução dos valores aos clientes do banco.

A quebra do Ueno Bank

Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai deu início ao processo de resolução do Ueno Bank, após problemas de solvência. O índice de solvência do banco caiu abaixo da metade do mínimo legal depois de ajustes no balanço, e as operações foram suspensas, deixando clientes sem acesso às contas.

O banco, controlado pelo Grupo Vázquez, é apontado como o maior emissor de cartões de crédito do país e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social. Pesam sobre a instituição suspeitas de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador. O Ministério Público abriu investigação e pediu prisões de pessoas ligadas ao banco.

Na sessão do Congresso, a deputada Rocío Vallejo resumiu o impacto: "Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai".

As ligações do presidente com o banco

O que levou a crise financeira para dentro do palácio presidencial foram os vínculos de Peña com o grupo. Ele foi acionista da Ueno Holding, estrutura ligada ao banco, até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses, interferência na fiscalização e omissão das autoridades monetárias.

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também renunciou. Antes de assumir o cargo, ele havia comandado a Ueno, antes de a financeira se tornar banco, em 2023.

Economista de 47 anos, Peña foi eleito em abril de 2023 pelo Partido Colorado. Antes, comandou o Ministério da Fazenda do Paraguai entre 2015 e 2017. O vice-presidente, Pedro Alliana, também era alvo do pedido de impeachment.

Minha leitura

Quando um presidente tem vínculo societário com um banco que quebra e leva junto o dinheiro de milhões de pessoas, a conta política chega. O Paraguai mostrou que Congresso e Ministério Público funcionam com rapidez quando o caso é grave, e isso serve de lição para quem acha que conflito de interesses no poder é detalhe.

Peña fez certo em sair antes do impeachment?

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Fontes: Revista Oeste — ver reportagem original

LA
Luan Amancio

Advogado, jornalista independente e comentarista político. Saiba mais · YouTube

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